Um em casa de outro: concubinato, família e mestiçagem na Comarca do Rio das Velhas (1720-1780) Rangel Cerceau Netto

ISBN:

Published: 2008

Paperback

160 pages


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Um em casa de outro: concubinato, família e mestiçagem na Comarca do Rio das Velhas (1720-1780)  by  Rangel Cerceau Netto

Um em casa de outro: concubinato, família e mestiçagem na Comarca do Rio das Velhas (1720-1780) by Rangel Cerceau Netto
2008 | Paperback | PDF, EPUB, FB2, DjVu, AUDIO, mp3, RTF | 160 pages | ISBN: | 3.18 Mb

Pretende-se neste trabalho estudar as relações concubinárias como opção de organização familiar de diversos grupos sociais. O ponto de partida são os constantes debates que envolvem a variedade de culturas familiares e de comportamentos presentes naMorePretende-se neste trabalho estudar as relações concubinárias como opção de organização familiar de diversos grupos sociais.

O ponto de partida são os constantes debates que envolvem a variedade de culturas familiares e de comportamentos presentes na sociedade colonial. O estudo desenvolve-se com a análise dos vários sujeitos sociais que povoaram a região das Minas Gerais e se envolveram nesses tipos de relacionamentos. Desse modo, este trabalho constitui-se num esforço em situar a temática do concubinato como um estudo dos agentes sociais que o praticaram e estabeleceram várias outras relações familiares que diferiam do modelo cristão monogâmico de casamento.Sumário sintetizadoApresentação: Eduardo França PaivaCapítulo 1 O concubinato e as devassas: desvendando outras famílias1.1.

O concubinato: entre o conceito e a prática1.2. A construção do imaginário moralizador1.3. O concubinato segundo relatos dos viajantesCapítulo 2 Traçando novos caminhos: o concubinato e a opção de seus agentesCapítulo 3 As formas de concubinato na comarca do Rio das Velhas3.1. As tipologias do concubinato na comarca3.2. Laços afetivos e estratégias patrimoniaisde: https://www.ufmg.br/boletim/bol1612/8... (acesso em 16/06/2015)Concubinato e mestiçagem no Rio das VelhasAnálise de devassas eclesiásticas revela complexidade das relações extraconjugais no século 18Itamar Rigueira Jr.A Comarca do Rio das Velhas, que tinha Sabará como sede, era a mais populosa – quase 100 mil habitantes em 1776 – e uma das mais importantes da Capitania das Minas Gerais no século 18.

Centro de extração de ouro, a região era responsável também por parte do abastecimento no caminho para os sertões, que ligava Minas à Bahia seguindo o rio São Francisco. Ali, portugueses, africanos e índios – e seus descendentes – viviam relações afetivo-sexuais que eram condenadas pela Igreja e hoje ajudam a entender fenômenos como a miscigenação e rever conceitos sobre o papel da mulher de origem africana sobre seu próprio destino.Paulo CerqueiraRangelRangel Cerceau: modalidades de concubinatoAs formas de concubinato são definidas a partir de pesquisa do historiador Rangel Cerceau Netto defendida há dois anos como dissertação no Programa de Pós-Graduação em História da Fafich e recém-publicada em livro pela editora Annablume, com o título Um em casa de outro – Concubinato, família e mestiçagem na Comarca do Rio das Velhas (1720–1780).

Parte desse trabalho será apresentada em agosto no tradicional Seminário sobre a Economia Mineira, realizado em Diamantina e promovido pelo Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional (Cedeplar) da Face.Em suas visitas aos arquivos, Rangel Cerceau Netto debruçou-se sobre as devassas eclesiásticas, processos conduzidos pela Igreja, que na época era parceira do Estado no controle de questões sociais.

“Um dos objetivos dessa associação – o chamado padroado – em sua cruzada pela moralização dos costumes era fazer prevalecer a idéia do casamento monogâmico. Por isso, as devassas revelam tanto sobre relações consideradas clandestinas, e o concubinato em suas diversas formas sobressaiu em minhas pesquisas”, explica Rangel Netto, que se serviu também de testamentos e cartas régias. Ele mostra que o costume da concubinagem se dava, na maioria das vezes, entre indivíduos de classes sociais diferentes, quase sempre homens livres brancos envolvidos com pretas e crioulas/mestiças, forras ou escravas.ModalidadesO pesquisador descobriu implícita nas devassas uma divisão do concubinato em modalidades.

Homens e mulheres sem impedimentos praticavam o concubinato simples, que se desdobrava no tipo casual (fornicação ou prostituição, segundo os processos), naquele em que havia compromisso maior, embora o casal vivesse em casas separadas, e no chamado “de portas adentro”, quando o casal dividia a casa sem a união formal. Outra forma de concubinato foi a adulterina, que podia ser eventual ou caracterizada pela formação de uma segunda família. O modo incestuoso também se explica pelo nome, e implicava consangüinidade ou afinidade.O concubinato na região de Sabará foi também dos tipos clerical (envolvendo padres, freiras e noviços), poligâmico, duplo, quando se misturavam as modalidades, e o que Rangel chama de concubinato com promessa de casamento.

“Nesse caso, um homem não podia formalizar a união, por exemplo, porque era casado em Portugal ou em São Paulo, e a Inquisição poderia condená-lo pesadamente por bigamia”, explica o pesquisador.A diversidade das culturas que se encontraram na região, segundo Rangel, ajudou a fertilizar o terreno para a prática do concubinato, assim como a característica matriarcal de certos povos africanos – as mulheres assumiam com facilidade filhos de homens diferentes.

Outro aspecto chamou a atenção do historiador: as mulheres negras e mestiças seriam bem menos vítimas nas relações com o homem branco nos setecentos. “As descobertas relacionadas ao concubinato ajudam a mudar uma tendência marcante na historiografia tradicional, que vê essas relações interétnicas e interculturais pautadas pela violência.

Os documentos revelam que as mulheres africanas e descendentes tinham suas próprias motivações para o envolvimento afetivo e sexual com os homens brancos. Isso lhes valia posições mais favoráveis na sociedade”, conclui Rangel Cerceau Netto.



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